Notícias, informação e debate sobre as queixas em saúde, nomeadamente quanto à negligência médica e erro médico em Portugal.
9.9.10

Pode-se morrer por não se ser ouvido? A pergunta está a ser debatida entre a classe médica para tentar encontrar novas soluções para os problemas de comunicação entre médicos e pacientes. O assunto é um dos temas principais de um congresso de especialistas.
"Os próprios profissionais deixaram morrer o João Semana", observa o hematologista Manuel Silvério Marques, sobre o tema de um colóquio internacional que na  próxima semana em Lisboa aborda a comunicação entre médico e doente.

Segundo este investigador em filosofia, com um doutoramento sobre "A Medicina enquanto Ciência do Indivíduo", a comunicação entre médico e doente é hoje em dia "uma necessidade e uma impossibilidade".

Na sua interpretação, se é importante "dar importância à voz e história do doente", essa prática “abastardou-se com a necessidade de contabilizar a medicina ao minuto e ao segundo”. Aí não cabe, portanto, o “João Semana”, figura de clínico rural, sabedor do historial clínico de famílias e indivíduos.

É muito crítica a visão de  Manuel Silvério Marques, com prática num instituto de oncologia: “A medicina familiar continua a ser secundarizada, apesar do discurso sobre a importância dos cuidados médicos primários”.

Isto, entendido a nível político, mas “muitas vezes vemos também uma defesa de interesses meramente profissionais e pecuniários”. Além disso, refere este médico hematologista, “quando se contabiliza o tempo de uma consulta está-se a propor acabar com a  escuta do doente”. 

A boa prática médica, defende ainda Manuel Silvério Marques, implica mesmo ouvir o paciente. No entanto, estamos no tempo de “uma medicina defensiva, com grandes meios de diagnóstico”, cujo acesso facilitado faz dispensar o diálogo. Assim, “há casos em que os meios de diagnóstico não seriam precisos”.

A conversa entre médico e doente assume também importância, reconhece este especialista, numa população envelhecida e também no caso de problemas psicológicos. A falta de diálogo leva a decisões como a requisição de análises e “ao despachar do doente com antidepressivos”.

Para alterar atitudes desta natureza, Manuel Silvério Marques defende cursos de pré e pós-graduação para os médicos, por forma a que estes fiquem com competências no relacionamento com os seus doentes. Já houve iniciativas nesse âmbito, nas universidades do  Porto, Lisboa e da Beira Interior, mas desvaneceram por obstáculos ou falta de interesse.

“O que há agora são uns cursos de biotética altamente capturados por doutrinas religiosas e/ou políticas”, refere o nosso entrevistado.

A iniciativa de um colóquio sobre doença e diálogo, nos próximos dias 13 e 14,  parte agora do Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (Faculdade de Letras). Além de especialistas estrangeiros, a abordagem da chamada “medicina narrativa” conta com intervenções como a do neurologista João Lobo Antunes.

Uma das oradoras, que o JN ouviu, parte de uma experiência pessoal. “Pode-se morrer por não se ser ouvido?”, questiona Teresa Casal, docente universitária. Ela viveu uma situação grave depois de uma intervenção cirúrgica com erro médico. “As minhas queixas foram ignoradas ou desvalorizadas como psicológicas”, afirma, acrescentando que  sabe que “há situações semelhantes”. No fundo, ninguém lhe deu ouvidos, mas rejeita uma atitude “de culpas e desculpas”. No entanto, frisa que “em muitas circunstâncias, não ouvir pode ser fatal”.

 

Link: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1658087 

link do postPor Inconformado, às 12:55  comentar

De Cidalia Ferreira a 19 de Julho de 2014 às 23:24
Boa Noite!
Queria partilhar a minha história com vocês... não é muito agradável, porque tenho partilhado a minha historia com muitas pessoas, sempre na esperança que alguém me ouça, já estou a ficar cansada de tanto falar mas quero acreditar que algum dia alguém me dá a devida atenção.:)
Chamo-me Cidália Ferreira sou casada e tenho 2 filhos de 5 e 10 anos e sou natural de Coimbra.
Em 2005 tive um acidente de trabalho (era funcionária na empresa Manuel Nunes e Fernandes Lda), na altura fui operada a uma tendinite no pulso direito, intervenção cirúrgica essa que correu mal ou seja foi-me lesado um nervo (lesão que jamais foi assumida por alguém) a partir daí nunca mais consegui mexer o pulso direito e nem o polegar. O médico que seguia o meu processo, e na altura prestava serviço para a seguradora (antiga Real Seguros atual Lusitânia), na Clínica Santa Filomena em Coimbra, após tentar a toda a força conceder-me alta, mas por imposição minha (pois estava pior que antes da operação) enviou-me de "CASTIGO" ( palavras do Dr.) para uma clínica no Porto, para taparem o sol com a peneira fizeram-me mais 2 operações, onde fiquei 2 anos de baixa. Nesse espaço de tempo fui pedindo opiniões a outros especialistas particulares, e todos eram da mesma opinião, tinha sido lesado um nervo mas.... nenhum assumia fazer um relatório em que a conclusão fosse a lesão de um nervo por negligência de um colega de profissão, o chamado (famoso) Código Deontológico. Conclusão fomos para Tribunal do Trabalho e foi-me atribuída uma incapacidade permanente, só referente à ALGODISTROFIA, a lesão, serei eu a responsável?
Relatório da junta médica, "A junta médica, por minimidade, após observação da sinistrada e dos documentos clínicos, considerou que a mesma apresenta ALGODISTROFIA da extremidade distal do membro superior direito(ACTIVO) que a incapacita conforme o descrito no capitulo III- 6.1.10 a)(0,10-0,20) a que se atribui a I:P:P de 0,15 (15%) que deve ser apurada pelo facto da bonificação de 1'5 que corresponde a I:P:P de 22,5%, pelo facto de ter muita dificuldade em executar determinados gestos da profissão habitual..."
Isto acontece no ano de 2008, continuei na empresa até 2011 (...sofrendo várias pressões por parte da entidade patronal, uma vez que ficaram obrigados por lei a conceder-me trabalhos adequados à minha incapacidade...) quando esta abriu insolvência. Desde em tão encontro-me desempregada, mas para agravar mais a situação 3 meses depois o meu marido também ficou desempregado.
Temos lutado muito para não entrarmos em incumprimento com as nossas despesas (casa, luz, água, gás... ) mas a partir de agora não sei... o único rendimento que temos é o sub. subsequente do meu marido que são 419€, com 300€ de prestação (já com período de carência) da casa para pagar, os restantes 119€ tem que dar para o resto.
Não há trabalho mas mesmo que eu queira trabalhar ninguém me aceita porque estou mesmo incapacitada da mão direita nem escrever consigo, ate cheguei a ir ao centro de emprego pedir ajuda e a resposta foi "se não há emprego para quem está a 100% quanto mais para quem tem uma incapacidade, também já pedi ajuda na segurança social e o que me disseram é que o meu problema tem que ser o seguro a resolver, mesmo que eu queira pedir uma avaliação em tribunal por causa de me sentir pior, tinha que pedir a um médico que me fizesse um relatório e isso está fora de questão nem tenho dinheiro para pagar a um médico particular e acredito que nenhum médico queira ir comigo a tribunal.
Conclusão eu queria-vos pedir ajuda na esperança que talvez me consigam uma solução , ficando-vos grata para o resto da minha vida...

Desde já vos agradeço, na esperança que tratem a minha situação com carinho1
Contacto:912031927 ou 938531191

 
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