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18.9.10

O marido, Sérgio Ribeiro, vai esperar pelas conclusões do processo de averiguações instaurado pelo Hospital de Guimarães para decidir se avança ou não com queixa-crime. Mulher, de 37 anos, morreu após três idas às Urgências.


A família de Cristina Maria Ribeiro da Silva, a mulher de 37 anos que faleceu no Hospital de Guimarães depois de ter tido alta três vezes no Serviço de Urgência, admite avançar com uma queixa-crime contra o Hospital, mas diz que só o fará depois de conhecer as conclusões do inquérito ao caso instaurado pela Direcção Clínica da unidade.

O marido, Sérgio Ribeiro, disse ao CM que "nada será feito antes da conclusão do inquérito", sublinhando que analisará, primeiro, o documento e, só depois, decidirá as medidas a tomar.

Adiantou que a esposa "era uma mulher saudável", que nunca tinha sido hospitalizada, com excepção dos partos dos dois filhos, de 2 e 7 anos, e que "esta situação de cansaço e falta de ar, de que se queixava, foi uma coisa que lhe apareceu de repente".

Tal como o CM ontem noticiou, a Direcção Clínica do Centro Hospitalar do Alto Ave (nova designação do Hospital de Guimarães) instaurou um processo de averiguações, a 7 deste mês, um dia depois da morte de Cristina Ribeiro da Silva.

Refira-se que este foi, pelo menos, o segundo caso, este ano, de pessoas que faleceram depois de terem tido alta nas Urgências do Hospital de Guimarães (ver texto na página ao lado).

Cristina Silva deu entrada na Urgência no dia 29 de Agosto, queixando-se de falta de ar e de cansaço. A médica que a atendeu terá desvalorizado a situação, referindo apenas que se tratava de ansiedade, e mandou a paciente de volta para casa.

Como a falta de ar e o cansaço persistiam, Cristina voltou à Urgência no dia seguinte, de manhã, mas teve novamente alta.

Só que os sintomas foram-se agravando e, ao fim da tarde, voltou à Urgência. Nessa altura, a equipa médica ordenou a realização de exames de diagnóstico, que, segundo os clínicos, não revelaram nada de grave. Aconselharam-na, então, a ir ao médico de família.

Na manhã do dia 31, Cristina Silva perdeu os sentidos e foi transportada, já em coma, para o Hospital. Tinha um troboembolismo pulmonar (entupimento de uma veia do pulmão) e ficou internada nos Cuidados Intensivos, em co-ma, até falecer, no dia 6 deste mês.

Na freguesia de Moscotelos, onde Cristina residia, vizinhos e amigos ficaram chocados com a tragédia.

"Ficou toda a gente de boca aberta. Era uma senhora alegre, sempre bem-disposta. Custa admitir uma coisa destas", disse ao CM Paulo Ribeiro, sublinhando que, além da morte de Cristina, há duas crianças de 2 e 7 anos que ficam órfãs. "Isto parte o coração", acrescentou.

FALTA DE MEIOS E DE MÉDICOS COM FORMAÇÃO LEVA A ERRO

A falta de meios de diagnóstico e de médicos com formação e experiência em Urgência hospitalar pode levar um clínico a não chegar ao diagnóstico de tromboembolismo, um quadro que pode ser confundido com ansiedade. Esta é a conclusão relatada ao CM pelo presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva. O médico, sem conhecer nem se pronunciar sobre o caso em concreto, afirmou que, às vezes, o diagnóstico é feito por suspeição. E justificou: "Não é sustentável fazer exames às dezenas de pessoas que vão às Urgências com ansiedade". Alguns factores aumentam a suspeição: a mulher teve bebé recentemente, toma a pílula, tem varizes ou uma fractura.

IDOSO MORRE APÓS ALTA

A Direcção Clínica do Centro Hospitalar do Alto Ave, em Guimarães, está a braços com uma queixa--crime apresentada em Fevereiro pela família de Agostinho Gonçalves, um homem de 86 anos, de Celorico de Basto, que morreu três dias depois de ter recebido alta na Urgência desta unidade.

A filha, Maria de Lurdes Gonçalves, disse ao CM que a morte do seu pai se deveu a "manifesta incúria de quem o atendeu na Urgência".

Agostinho Gonçalves deu entrada na Urgência do Hospital de Guimarães às 21h00 do dia 12 de Fevereiro e foi-lhe dada alta às 02h30, já no dia 13.

"O meu pai veio para casa num estado lastimável. Tinha o lado esquerdo paralisado, a tensão arterial totalmente descontrolada e vomitava. Não se compreende como é que, nesta situação, se dá alta a um homem de 86 anos", disse Maria de Lurdes, acrescentando que o progenitor "passou todo o fim-de-semana em grande sofrimento".

"Na segunda-feira, dia 15, o meu pai foi ao médico de família, como tinha sido determinado no Hospital, e o médico mandou-o logo, de ambulância, para o Hospital. Morreu dez minutos depois de lá ter entrado", explicou.

Maria de Lurdes diz que nunca foi recebida pelo director clínico, apesar dos vários pedidos, e realça que deixou o caso relatado no livro de reclamações.

Com o relatório preliminar da autópsia, que falava em "morte indeterminada", apresentou queixa em Tribunal. Sete meses depois da morte do pai, ainda aguarda o resultado da autópsia.

 

Link: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/familia-admite-queixa220315197 

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