Notícias, informação e debate sobre as queixas em saúde, nomeadamente quanto à negligência médica e erro médico em Portugal.
13.8.10

"O médico tirou 50% da minha vida com a cirurgia"

 

Ronald Rietbroek viu-lhe atribuída incapacidade e deixou de trabalhar, após perder 50% da visão nos dois olhos em 2004. A viagem ao Algarve era suposto ser uma espécie de viagem de férias. A cirurgia seria tão rápida que na tarde do mesmo dia já poderia jogar ténis. A miopia seria resolvida (ou quase) e as dores a que estaria sujeito seriam mínimas. Este cenário foi o traçado por Franciscus Versteeg ao seu doente Ronald Rietbroek, que foi ao Algarve em 2004 para confirmar exactamente o oposto. Depois da cirurgia, perdeu 50% da visão dos dois olhos e viu-lhe atribuída incapacidade. Deixou de trabalhar. "Sinto que o médico me tirou metade da minha vida", contou ao DN. Ronald é um dos 14 doentes que foram tratados pelo médico holandês no Algarve em 2004 e um dos que ficaram com sequelas mais graves. O seu caso foi um dos três que chegaram à Inspecção da Saúde Holandesa e é o único que seguiu para um tribunal cível, apesar de estar há cinco anos à espera de solução. A operação foi em Março de 2004 e foi o próprio médico que sugeriu que viesse a Portugal. "Ia pagar o mesmo pela cirurgia, avião e estada e podia aproveitar para tirar férias. E pensei que fazia sentido porque não conhecia Portugal", conta ao DN. Já no Algarve, o médico sugeriu operar logo os dois olhos: "De todos os doentes que ali estavam, eu era o que tinha os melhores olhos para operar. Até disse que já podia ir jogar ténis à tarde..." Tal como muitos outros doentes que passaram por Versteeg, reconhece as capacidades de comunicação e o tratamento atento e amigável que dava aos seus doentes. O risco que aceitou pendeu para o cenário com menos probabilidade. Mal a anestesia passou, começaram as dores. "Eram insuportáveis, mas o médico dizia que iam ser ligeiras e iam passar rápido. Dois dias depois, numa sexta-feira, dirigiu-se à clínica e apenas encontrou o assistente. "Ele garantiu que não ia para a Holanda antes de domingo, mas foi. O assistente [Reinaldo Bartolomeu] tentou dar-me anestesia local para ir colocando em casa, mas eu não aceitei, porque era o médico que devia prescrever." A partir daí foi o pior :"Tive de suportar a dor com toalhas nos olhos. Só ao fim de três dias se tornou suportável, mas as dores não pararam antes das três semanas." A visão acompanhou o nível de dor. "Ele disse que ia ver mal durante seis meses. Devia ter dito seis anos!!" A visão é turva, passou de 2,5 e 2,75 dioptrias nos olhos para 6 e 6,75. Ou seja, a miopia duplicou. "Tornei-me fotofóbico [intolerante à luz] e mal posso sair e o esforço que faço para focar as coisas a todo o instante dá-me dores de cabeça constantes. Sobrevivo a analgésicos", desabafou. Já na Holanda, o médico sugeriu nova operação por metade do preço, mas o doente recusou. "Quando vi o programa de televisão com os casos dos outros doentes, achei melhor não ir." E não foi. Visitou antes três médicos que lhe responderam o mesmo: "Ficaram em choque e disseram que eu era inoperável. Tenho demasiado tecido cicatrizado nos olhos para isso." Depois da queixa, espera um dia ser compensado. "Os peritos estão a provar que, além do laser, o médico cometeu erros. Há um vídeo meu", explica. Até lá, continua a acordar da mesma forma. "Sempre que acordo, sou confrontado com o que o doutor Versteeg me fez." Valdelane Santos, a mulher de 35 anos que arrisca ficar cega dos dois olhos, está decidida a avançar com uma queixa em tribunal contra o médico holandês que a operou em Lagoa. Nem mesmo a possibilidade Franciscus Versteeg pagar uma indemnização atenua a memória dolorosa que a mulher brasileira tem da situação. "Ela quer ir a tribunal e avançar com uma queixa contra o médico", assegura ao DN Eliane Viana, irmã de Valdelane. Apesar de a decisão estar tomada, ainda não há data prevista para darem entrada com o processo. "Ainda não sabemos quando pode acontecer. Amanhã [hoje] falaremos com um advogado e ficaremos a saber se aceita o caso", adiantou, acrescentando que a irmã "está tranquila e sem dores".

 

Link: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1640078 

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